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E ele olhou para mim. Mas olhou com tanto esmero, que senti meu peito inflar graças ao meu ego. Senti-me de grande valor como há décadas atrás. Parei por um minuto, mordiquei o lábio inferior e encarei o chão sujo da rua. Voltei meus olhos para os dele, que se aproximavam lentamente da esquina em que me encontrava. E com um sorriso fraco no rosto esperei.
O papo ia e vinha como a brisa fraca que não se cansava de soprar naquela tarde. Eram elogios, críticas, que me via contra a parede diante de tanto amor que transbordava em palavras. Foi quando me ofereceu seu coração, de alto valor, para mim, estava pagando em bem, vinha escrito promessas, amores, fantasias, prazeres. Não neguei, como poderia? Depositei-o no meu peito prontamente, mas ele pediu trinta dias, pois ainda não havia recebido. Como negar?
Eram amores, dias felizes de sol lá dentro enquanto chovia forte lá fora, aquecia-me. Era sexo insaciável, de novos prazeres descoberto, e até posições, com delicadeza e veracidade que se misturavam de forma quase inacreditável que nunca antes havia experimentado. Eram promessas que soavam em meus ouvidos como a mais agradável música, facilmente sentia-se o toque de seda delas. Carinho, atenção também vinham em grandes proporções. Era inacreditável, havia achado o amor de minha vida?
E o tempo se passou, o calor do corpo nos dias de chuva diminuía com o tempo, o sol se enfraquecia, apagava, falhava ao decorrer do tempo. E o sexo já era puro desejo insaciável sem prazer, carinho ou amor, e nas piores posições, era uma mistura verossímil que já experimentara há muito. E as promessas soavam pesada como vinil riscado na vitrola, e o toque áspero já corroíam meus ouvidos. E tudo vinha em diferentes proporções, desatenção, grandes medidas das coisas fúteis e poucas das boas. Onde estava o amor da minha vida?
E foi quando ele voltou, o coração estava sem fundo, furado, não valia um centavo. Alem do mais, acho que meu prazo de garantia também havia se esgotado, tanto quanto o de validade, eu valia mais que um objeto para ele? Peguei o coração sem fundo, amassei, rasguei, pisoteei, não que isso fosse cobrir o preço já inestimável desde o primeiro dia, ou que fosse fazer desaparecer uma ou qualquer mágoa.
Voltei, voltei só. Não estava mais a venda. Pelo menos não por um preço tão barato, e só a vista.
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Ermel
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07h14
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Tempo. Quanto tempo. Um mês e mais alguns dias.
Não creio que, talvez, alguém tenha sentido falta dos non-sense que escrevi por aqui. Mas o fato de simplesmente escrever sem nenhuma restrição, aqui, eu me sinto bem.
Perdi minha noção do tempo. Agora, agora reluto em continuar a escrever, escrever o que mais perdi, torna-los tão públicos, mesmo em um lugar que tenha caído no esquecimento, eu não sei... Já tive dias melhores.
-=-
O pequeno cachorro, tão gordinho quanto fofo, ofegava em seu colo enquanto uma mão segurava sua cabeça peluda que parecia tão sem vida e outra repousava na barriga que se enchia de ar a cada inspirada difícil e choros e ruídos vazavam junto com o ar.
Os olhos lacrimejados, que ainda vertiam incontáveis lágrimas alternavam entre o corpo quase inerte em seu colo, a estrada a mulher que dirigia com a pressa que lhe era permitida naquela noite de ruas desertas. Matutava inquietamente em sua cabeça: “Agüenta, por favor”, pois a mandíbula quase travada devido tanto desespero impedia as palavras de saírem de forma audível.
E o garoto, surpreendentemente sorriu enquanto as lágrimas salgadas percorriam a face marcada pelo colchão, jogou a cabeça para o lado esquerdo estralando o pescoço, tentando, em vão, aliviar a tensão. A voz quase calma, doce e feminina soou em sua cabeça “Calma, vai dar tudo certo”. E ele continuava a sorrir e chorar. Como podia apegar-se tão facilmente a uma criatura tão pequenina, peluda? Quanto tempo havia se passado desde que os dois haviam se conhecido, um mês? Menos? Riu em desespero, chorou de felicidade.
Ouviu o som estridente dos pneus quase rasgarem os asfalto e seus tímpanos. A luz tomou conta do carro e seu interior em uma fração de segundos, iluminando os passageiros, e como por mágica, sentiu o tempo correr mais devagar, quase como em um filme, e voltou ao seu curso normal. Os metais se encontraram em um grande impacto e ensurdecedor som.
E a dor tomou conta de suas pernas, de sua cabeça d’onde jorrava algo alem das lágrimas, não sentiu o pelo macio mais em suas mãos, não conseguiu virar o pescoço para que um pouco de esperança brotasse ao ver apenas a sua figura. Ele tentou gritar, blasfemar, cuspir e amaldiçoar - as pálpebras pesaram – e em um ultimo recurso implorou.
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Ermel
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04h18
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Bem, ontem adotei outro animal. Só que dessa vez um peixe, como eu tinha dito antes, meu outro morreu, então precisei comprar outro para repor o lugar do Adagoberto, esse tem o mesmo nome, a mesma cara (De peixe :P) e tem a mesma cor. E agora esta aqui, ao lado do computador, no aquario nadando alegre, espero que ele viva mais que o antigo, nunca fiquei com um peixe por mais de um ano, uma vez dei pra minha mãe, e os outros varios morreram.
Bateu uma preguiça agora de escrever mais, estava ate com vontade de escrever alguma coisa, mas acho que estou com um bloqueio mental agora.
Well, fico por aqui.
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Ermel
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11h47
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Que cansaço, hoje acordei cedo, cedo de mais. Pleno domingo acordando as seis e meia, não tem cabimento. Ontem estava 'marcado' para sair, mas acabou não dando, o que muito me estressa, pois odeio marcar coisas e depois desmarca-las. Não dá, não marca, por favor.
Enfim, acabei indo a pizzaria com outros amigos e fazendo uma 'seção cinema' na casa da Lidiana, assistindo o filme que já vi milhares de vezes Dogville! É um bom filme, ótima critica, um cenário legal (!) e a bela Nicolle Kidman, como sempre, impecável. É um filme longo, é difícil achar quem goste dele, por ser um pouco... Acho que brutal seria a palavra - um pouco brutal de mais.
Acho que o filme (Dirigido por Lars von Trier, o mesmo de Dançando no Escuro) explora muito bem cada ser humano, desde as perversidades a bondade, cada sentimento, cada pequeno e singelo detalhe e mostrado sob um perspectiva muito interessante.
E o que mais gostei, é o fato de que, não importa o quão bom você seja, ou mau, não é possível viver assim para sempre. A vida, as pessoas lhe ensinam a se 'converter' e a acabar se adaptando ao estilo de vida que te cerca, independentemente dos seus ideais (Sejam quais forem), você continua os mantendo vivo ate certo ponto, quando você explode e os deixa de lado passando a seguir seus instintos gritantes e pulsantes nas veias.
De acordo com a Lidiana, "Dogville não é um filme, é um estilo de vida", não que haja algo grande para se absorver do filme que a vida já não mostre, mas que você esta cercado pelos bons, maus, manipuladores, entre tantos outros, e que sempre chega a sua hora, que de preferência seja por suas mãos.
"Estava cansada dos abusos, das mentiras, dos corpos sujos roçando sobre o seu todas as noite apos noite lhe tomando a força o domínio de seu corpo e do seu sexo. Era boa de mais para aturar aquilo tudo, era piedosa de mais para deixar como esta - e seus idéias haviam desmoronado há muito tempo, quando a confiança lhe fora traída. O mundo não precisava de um lugar como Dogville.
Os corpos jaziam inertes sobre o chão, os furos das balas vertiam o sangue escarlate manchando o chão pútrido daquela vila, que independente de quão sangue fosse derramado não se curaria nunca, não tinha salvação.
A densa e cinza fumaça esgueirava em direção ao céu das chamas que consumiam as casas, fazendo deste lugar um local que não passasse de lembranças. E um latido agudo se fazia ouvir alem das montanhas.”
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Ermel
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07h40
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Estava andando pelo Shopping, como a criança que ha em mim, fui direto a loja de animais. Cada bichinho, um mais dengoso, fofo e lindo que o outro, incrível como os cães conseguem mexer conosco.
Quando me deparo com um Yorkshire macho, uma vez que tenho uma fêmea em casa pensei alto, acho que alto de mais: "Seria uma bela companhia pra Vic" nisso que surge, se esgueirando pela loja e pelas minhas costas um vendedor, é incrível, chega a ser inverossímil a técnica de persuasão dessas pessoas. Ele pega o cachorrinho, era pequenino, cabia na palma da mão pretinho com luvas caramelo e uma carinha de coitado, e me da nas mãos pra segurar, quase me desmanchei, eu fico com uma dó, aqueles cães presos naquelas gaiolas pequenas cheia de barulho e falta de espaço, me pergunto o quão infeliz o animal é naquele lugar.
Pronto, coloquei o bicho no colo e me apeguei, ele colocou a cabeçinha no meu ombro e me lambeu a orelha, chorou baixinho e fininho, era um inaudível "Me leva!". O dinheiro apertado no bolso, trabalho suado, quando me vem a balela: "Põem ele no chão pra ver ele correndo, é lindo" - se eu o fizer é claro que vou me apegar, ainda mais com essa criatura, nunca consegui controlar meus 'impulsos' quanto a bichinhos inocentes e em más condições. Nisso que eu solto a perola "Quanto é?" - "Quinhentos reais", só faltei rir de tamanho desespero, a vontade de levar era tanta e o dinheiro na medida certa. Olhei, analisei, e ele continuava a murmurar no pé do meu ouvido "Me leva!".
Me apego fácil de mais a pequenas coisas, a fúteis - animais, enfeites etc. -, só o fato de achar que os bichos já não estão felizes da uma pontada no meu coração, a persuasão do vendedor e claro o próprio bicho que solta todo seu charme no alvo. Os enfeites que me chamam atenção adornam meu quarto e mal há espaço para mais coisas, de viagens, de lojas (Imaginarium no maior caso delas! Amaldiçoada seja!!), coisas bizarras, estranhas mas com um 'tcham', que fazem daquelas peças únicas (Bem, é o que alguns dizem). Preciso aprender a me apegar menos em coisas caras.
Todo aquele papo no meu ouvido do vendedor, já estava cansando. "A vista tem desconto?". E assim foi, o Elvis ta aqui em casa se divertindo horrores como diria uma colega, tão pequeno, tão bonito.
Preciso, também, saber me desapegar, principalmente as pessoas, cada qual com seu próprio charme e com seu próprio poder persuasão. Mas não que isso seja ruim, como diriam: O doce não é tão doce se não fosse o amargo.
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Ermel
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19h17
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Hm... Estou começando um novo projeto, foi a primeira vez que tive a coragem de mostrar uma estória para um familiar e colega. Antigamente tinha vergonha acho que ate medo de mostrar meus trabalhos, não pela critica - que obviamente é sempre boa, um dos pontos negativos de mostrar-lhes - mas ontem, enquanto o escrevia me bateu uma coisa, um desespero por ajuda que recorri a minha tia.
Não havia terminado, ainda, o capitulo e alem de tudo ela fazia questão de ler em alto e bom tom, o que muito me envergonhava, mesmo os outros familiares estando fora, eu simplesmente não consigo, depois de pronto ler meus contos, estórias e romances, tanto que há muito tempo logo apos escrito e/ou digitado eu os jogava fora, talvez pela infantilidade da época, mas mesmo com meus quinze eu ainda fazia isso. Acho que era o desgosto de saber que era o fim daquilo, ou da obra imperfeita. Logo apos - quando eu encontrei um site de contos - postar no site eu os apagava do computador, rasgava os papeis dos cadernos e os queimava - até hoje tenho uma grande 'paixão' por fogo.
Agora, me vejo a encarar o horizonte obstruído pelas outras casas a minha frente e me pego pensando nos antigos textos, mais raiva me consome, como eu postei aquelas coisas infantis? Bobas? Que incrivelmente as pessoas gostavam! Textos bizarros, metáforas, mas eles gostavam, isso me agradava e ao mesmo tempo não!
Não sei, mas uma 'desconfiança' andava ao meu lado, não acreditava nos bons comentários e criticas, e a família era suspeita pra dizer se estava bom ou não - ela sempre é!
E ontem, Ontem tive a coragem de mostrar para um colega - o qual fizemos uma 'parceira' pois tinha empacado em uma parte um pouco complicada - e para minha tia. A satisfação foi grande, mas continuava desconfiado, mas foi como um empurrão para poder continuar.
(Mais um texto das minhas ‘desavenças’ como escritor)
Acho que postarei - uma parte - do primeiro capitulo, uma vez que ele é Bem grande.
Até!
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Ermel
às
16h45
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Hoje meu peixe morreu. O vi agonizar e morrer lentamente nas profundezas do aquário. Penso comigo, teria morrido feliz? Infeliz?
Ele nadava rapidamente por debaixo do arco de pedras falsas, nadava pelas folhas de plástico freneticamente como se algo o incomodasse, não havia musica, quando uma musica agitada tocava ele se excitava, nadava, parecia dançar, a seu modo, nas águas claras do aquário sob o reflexo das pedras azuis no fundo. E sob a musica triste ele se acalmava, se escondia por debaixo do arco e lá ficava, como se ouvisse a melodia e acompanhasse cada nota, parecia prestar atenção na letra e seguir na mesma emoção que a melodia transmitia. Mas hoje, hoje ele nadava eufórico.
Meus olhos o seguiam pelo trajeto pequeno delimitado pelo vidro do aquário, corria de canto a canto. Parou em um lado, perto da caixa de som e se inclinou, havia algumas bolhas na superfície e um besourinho, que logo tratei de tirar quando vi que seus olhos percorriam por toda a superfície - eu acho. E ficou parado.
O corpo vermelho de grande cauda se contorceu fortemente, freneticamente pela que aparentava, que a dor consumia todo o seu corpo; a água continuava calma, e meus olhos atraídos pela cena. Seu corpinho inchou, parou de rodopiar e agonizar em um ponto fixo, virou de cabeça para baixo e não boiou. Bati algumas vezes no vidro tentando, em vão, acorda-lo, do que porem era Obvio!
Peguei-o na mão, levei-o furtivamente ate o banheiro jogando-o na privada e logo dando descarga, por poucos segundos pudesse o ver seguindo o fluxo que eu havia provocado. A cena me incomodou pelo dia inteiro, meus olhos que ha tanto tempo não lacrimejavam por algo tão fútil... Ele não era fútil, mesmo pela falta de contato, de palavras, ainda sim havia uma ligação e a mesma pergunta que percorria incansavelmente pela minha cabeça "Por que as pessoas morrem?", me senti, novamente, com seis, sete anos de idade. Quem nunca teve um peixinho?
Cobri o aquário com uma toalha branca, deixarei lá por uma semana, limparei o aquário, colocarei os enfeites sob nova perspectiva e comprarei um novo peixe. O Show Deve Continuar!

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Ermel
às
22h25
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Não ha coisa mais prazerosa, no caso da Internet, ler o blog do Alex, da Silmaravilhosa entre tantos outros. Veio dos dois essa grande (Imensa) vontade de criar um blog, é tão particular, tão mais simples e onde se pode jogar todos seus animais! Incrível.
Foi no "Coisas que Ninguém Deveria Ler" que vi um vídeo belo, da linda, maravilhosa Clarice Lispector. Vi-me uma pessoa tão feliz quando me deparei com as avalanches de respostas dela. Lembro-me quando lhe perguntaram, vindo de um livro dela, "Se você não pudesse mais escrever, você morreria?", e o vídeo parou, não tinha terminado de fazer o 'download'. Senti uma pontada, grossa perfurar meu peito, era como se a pergunta fosse para mim. E o vídeo parou. Paro por horas no dia em frente ao computador, imaginando, maquinando uma continuação para Aquele conto que eu quero tanto, almejo tanto terminar, mas em vão. É nisso que eu crio novas estórias, novos contos, novos personagens, verdades e mentiras. Sinto um peso sair das minhas costas, é um alivio poder escrever ao menos uma pagina no computador ou no caderno, uma sensação de: eu consegui! Mas quando me deparo com ele inacabado, triste e sem fim que uma grande agonia e raiva me tomam. Minhas mãos transpiram e correm pela madeira da escrivaninha tentando arranha-la, gritar, gritar e gritar ate o pulmão sangrar e filetes escorrerem pelos meus lábios. Mas eu continuo, escrevo uma nova estória, me encho de confiança "Vai ser este" penso comigo, e um branco me toma a mente, me rouba as idéias e eu grito em blasfêmia. É meu refugio, é minha salvação e o meu Porque de acordar amanha, mas eu o temo, mas é um medo reconfortante.
"Entre seus diversos trabalhos, sempre existe o filho predileto, qual você vê com maior carinho ate hoje?"... Hm..., não deu outra, logo me veio a mente o "Céu de Baunilha", o meu primeiro grande conto, que ao som da musica começou e terminou ao mesmo tempo. Marcante e inesquecível, mas me sinto tão triste quando me lembro dele, e os dias, noites em claro que passava escrevendo, contos de vários capitulos, contos de uma pagina, duas, três, dez. Mas agora são apenas fragmentos, e meus filhos se foram, pois um dia eles crescem, esquecem dos pais e os abandonam. Estou tão só, e meus novos filhos não passam de fragmentos, contos, estórias inacabadas.
"Mineirinho, que morreu com treze balas, quando uma só bastava". Eu acho que nada é o suficiente, escrevo, escrevo, mesmo que contos inacabados, um nunca é o suficiente, minha sede é inacabável, inabalável, insaciável. Não consigo escrever apenas um, mesmo que completo ou não, minhas mãos anseiam por mais e mais.
"No décimo terceiro tiro era eu, eu era Mineirinho", é incrível como nos envolvemos de tal forma com nossos contos, que sentimos raiva e aflição por não continua-los, ou por, sem querer, nos espelharmos nas personagens, sem nem ao menos perceber, as vezes ate criamos uma mentirinha aqui e acolá para apimentar mais, tornar mais interessante. Ou as vezes nos vemos nos mesmos conflitos que os personagens, porque sempre, mas sempre, eles levam um pouco de nós com eles. E isso me satisfaz.
"Escrevo sem esperanças de que altere qualquer coisa" e assim ela levou um cigarro a boca pintada de vermelho, seus olhos se encheram de um misto de raiva e tristeza; "Então por que continuar a escrever?" - "E eu sei?" respondeu acendendo o fósforo que queimava lentamente o papel branco cheio de tabaco.
"Qual o papel do escritor brasileiro hoje em dia?" - "O de falar o menos possível", não creio que seja isso, mas sim de gritar por dentro o Maximo possível, deixar as mãos correrem pelo papel desenhando grafias que aos olhos dos outros era um mero conto, que talvez, a alguns tocasse o coração, mas a nos, era a satisfação de escrever, nas entrelinhas o que não podemos falar, de mostrar o que temos vergonha, de simplesmente mostrar o nosso talento que corre em veias quentes e fervem a cabeça turbilhando em pensamentos bizarros, felizes, tristes, amores, desamores, decepções, talentos, perdas, ganhos, sexo, drogas, roc'n'roll. O simples fato de viver e poder expressar alem das palavras audíveis. Alem da arte no quadro. Alem da musica.
:: Postado por
Ermel
às
20h36
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Sorte a minha!
Logo apos a criação deste nada modesto Blog fiquei sem computador durante um longo periodo, o sorte que me segues como sombra sob meu calcanhar.
E o tempo?Que me escorre pelos dedos como as finas e brancas (e sujas) areias de Copacabana. Queria poder trocar ambos, ter um pouco mais de tempo e menos sorte, talvez pudesse arrumar melhor a agitada e nem tão pacata vidinha minha.
Mas quem sabe, num futuro proximo, não tão distante ou remoto, eu possa, com mais calma e clareza fixar cada erro, cada problema por menor que seja que me rondam os dias a fio. Hm, mas é a vida, melhor aproveita-la enquanto pode, e aproveitar o que lhe é fornecido, e quem sabe, quando tudo tiver andando em perfeitos trilhos parar por alguns minutos para o chá das cinco?
Apenas 10 xelins e 6 centavos!
:: Postado por
Ermel
às
13h49
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Oh Deus, são tantos os livros espalhados pela escrivaninha. Correm de Mika Waltari ate Clarice Lispector. Olho para eles com tanta aflição e me pergunto o tempo, o tempo necessario para cada pagina escrita, para cada dialogo que lhes passavam pela mente e os desenhava no papel. E a vontade louca de voltar a escrever me aflinge o peito e tambem as mãos que querem tomar aquele pedaço de vidro e flagelar a carne. Por que me desespero tanto por causa de um conto? Mas o desejo que corre entre minhas veias pulsante é de termina-lo, continua-lo, tenho tudo maquinado aqui, os amores, as traições, A minha Nefernefernefer... Ah Nefernefernefer, quem dera ainda existisse mulheres de sua categoria. Salve-me!
Lembro-me da primeira vez que escrevi. Foi deploravel, degradante. Descobri uma seção em um site de RPG só de contos, tinha o que? Onze anos? Nunca me vi tão empolgado com contos, prosas, poesias que logo segui a mare e escrevi um texto. Lembro-me detalhadamente de tudo! Até de onde 'roubei' a ideia, de uma revistinha, era uma relação entre mulheres, ambas trabalhavam juntas, porem ideias diferentes, objetivos diferentes, tudo! Elas não combinavam em nada, e de repente elas dormem juntas, hoje fico tão envergonhando quando me lembro dele, porque foi precariamente escrito, erros, erros, e mais erros atrozes em todos os paragrafos! Hahaha! Ai chuveram criticas e mais criticas, meu deus, quase desanimei, foi quando tentei, ao menos, melhorar.
Lia tudo e de todos naquele site onde havia panelinhas e panelinhas, ate hoje não entendo o sentido de tal coisa, Fulano só comentava conto de Sicrano, haviam varios contos que passavam semanas sem um comentario, para parecer um membro mais... Hm, generoso, lia todos, sem escapar um, foi quando me deparei com um conto 'lindo'! Era uma vista diferente dos crimos do Jack, O Estripador, sob uma perspectiva diferente, ai não deu outro, escrevi outro vergonhoso texto sobre crimes e sangue. Ah... Prefiro nem comentar. Muito trash! Choveram mais e mais criticas que mais pareciam pedras pontiagudas.
Um pouco de raiva fervia em minhas veias, mas tambem eu não era qualificado para tal, mas sempre uma vontade louca de escrever me batia no peito, mas eram apenas coisas desastrosas. Quando em uma noite ao som de uma musica, que ate hoje não me lembro, veio, como uma onda, uma vontade louca de escrever, e na mesma hora que começava a musica eu começava meu conto bizarro. Lembro-me direitinho, na mesma hora em que a musica terminava eu pontuava o fim do meu conto. E assim (Nada modesto não?) nascia um escritor de sucesso (Minha mãe acha ok?). Mas eram apenas contos bizarros, sonhos loucos, metaforas, anjos, morte, depressão, acho que porque talvez os genes da familia começavam a fazer efeito no jovem.
Contos com homens se deparando com a morte eminente, anjos salvando suicidas, drogados em seus ultimos minutos de vida, metaforas sobre sexo, poder e prazer como agua da fonte. Oh, como sinto saudades daquele tempo. Das pessoas daquele site! Mas infelizmente acabei me juntando a uma panela, não era a pior coisa pois as pessoas eram muito legais e delas sinto saudades, mas um pouquinho daquele sentimento de 'novato' ainda restava em mim, e sempre continuava a comentar os outros contos.
Ah... E agora não consigo terminar um conto... Está no quinto capitulo, nunca havia antes me empolgado tanto, e agora me vejo aqui, uns oito meses depois, parado no mesmo lugar, mesma palavra. E estou para surtar! E são tantas pequenas coisas que vão acumulando aos poucos que vão me fazer surtar, e eu grito silenciosamente por socorro.
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Ermel
às
22h26
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Ele olhou para sua esquerda deparando-se com uma parede brance, nua. Procurou algum de seus quadros e desenhos lá pendurados, nada alem do cansativo branco, triste. Olhou para sua esquerda procurando algum de seus livros e CD's lá quardados, nada, apenas outra branca e triste parede. Seus olhos procuraram a sua frente a janela que, como um quadro, expunha o belo e verdejante jardim adornado de belas rosas vermelhas. Seus olhos lacrimejaram.
Sua mão cortou o ar em direção a sua boca. Envolveu os lábios privando-lhe de qualquer fala. Sentiu as palavras nadarem no vão do seu interior, subirem a garganta das entranhas do seu ser e baterem fortemente em seus lábios fechados. Debatiam-se lá dentro, queriam sair de qualquer jeito.
Sua cabeça parecia girar, entre tantos pensamentos futeis, sentiu vindo lentamente algo, como um trem que vinha do fim do tunel sendo anunciado apenas pela fraca luz, as cordas privam-lhe do movimento, e assim, agonizante, você espera a morte eminente.
Entre abriu os dedos, deixando pequenas frestas sobre os lábios. Abriu lentamente a boca, palavras correram rapidamente para o lado de fora, para a liberdade e a verdade que naquele vazio quarto se encontravam. Dois filetes de lágrimas escorreram pela sua face morena e encontraram enfim o chão frio que maltratava seus joelhos. A vergonha tomou conta de seu rosto, colorindo-o em vermelho. O medo tomou sua mãos fazendo-as tremular fortemente. A tristeza fez, inumeras vezes, sua face molhar pelas gostas que escorriam de seus olhos vermelhos. Suas mãos cortaram como navalha o ar em direção as varias palavras que voavam naquele quarto pegando uma por uma e devolvendo-as para o interior de sua boca.
As palavras, as silabas, as letras, ficariam para lá sempre guardadas. Engoliu-as como se facas descessem por sua garganta voltando para suas entranhas e ficando a carne. Haviam voltado todas para o centro de sua covardia.
As mãos abafavam o grito, ouvia-se a penas um murmurio. Um grito silencioso.
:: Postado por
Ermel
às
20h27
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